Construído numa época em que os castelos eram essenciais à defesa e organização bélica das povoações, a evolução das armas e tácticas guerreiras acabou por tornar obsoletos estes grandes baluartes. Assim também o castelo de Portalegre – as suas muralhas foram sendo destruídas ou integradas em novas construções à medida que a população, outrora confinada ao interior das fortificações, se foi expandindo e aumentando, de forma que o antigo traçado está já muito alterado; é todavia ainda reconhecível para quem se disponha a passear a pé pela cidade, e algumas das suas portas são ainda local de passagem (como as de Alegrete, da Devesa e do Postigo). O prolongamento, no início do séc. XX, da Rua do Castelo, determinou a destruição de parte dos muros que ligavam o páteo de Armas à Torre de Menagem; voltar a estabelecer essa ligação foi um dos objectivos da obra que pode actualmente ser visitada. A nova estrutura, de concepção arrojada, combina a madeira e a pedra, materiais de conotação medieval, em três pisos: no rés-do-chão, a Recepção; no 1º andar, uma Galeria de Exposições Temporárias; e no 2º andar, uma sala de onde se pode desfrutar de ampla vista panorâmica sobre a cidade. O 1º andar, apoiado sobre a muralha original, estabelece uma ponte sobre a rua do Castelo, fazendo a passagem para a Torre de Menagem através de um passadiço que permite ter uma visão sobre o futuro Centro Interpretativo e leva a um lanço de degraus em pedra que, rasgados na espessura da parede, conduzem a uma magnífica sala de abobada reconstruída no séc. XVII. Sobre o antigo pateo de armas, a madeira transforma-se, de forma não invasiva, em duas galerias sobrepostas, direccionadas para um palco ao ar livre, destinado à realização de espectáculos em época estival.
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